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22/10/2018

aquele da desistente de merda

Tem uma frase de Henry Ford que diz que "no mundo ha mais pessoas que desistem do que fracassam" e eu acredito nela tão fortemente que isso faz de mim uma contradição humana — também conhecida como "hipócrita". Afinal, não há nada na minha curiosa vida que eu não tenha rendido-me ao pavor do fracasso ou ao mero desânimo.

Eu desisti do diploma que estava tentando conquistar, porque, quando eu comecei a sentir o cheiro da derrota aproximando-se e toda aquela ansiedade acumulada que não permitia-me mudar o rumo que as coisas estavam tomando, eu decidi que a melhor opção era abandonar aquele curso — e, provavelmente, minha única chance de ficar rica. Covarde é a palavra que você está procurando.

Eu desisti do meu tratamento psiquiátrico porque eu não acho que o que quer que eu tenha pode ser curado com pilulas mágicas ou palavras de conforto — i'm sorry, it's true. Eu desisti do ballet, que era a melhor coisa da minha vida na infância e, neste caso, eu fui obrigada, porque eu não podia obrigar meus pais a continuar pagando por um hobby, quando, claramente, era melhor que eu ficasse em casa comendo compulsivamente e destruindo a minha vida afogada em ociosidade numa cidade nova e sem amigos — oh, sim, eu ainda os culpo por isso.

Eu desisti de todos os relacionamentos que tive. Neste caso, eu não sei explicar o fundamento disso, consigo pensar em muitas motivações, todavia, não tenho certeza de nenhuma delas. Quiçá, se quando eu me formar em psicologia eu possa entender. Acredito fortemente que deva ter algo a ver com minha descomunal insegurança.

Eu desisti de amizades; elas apenas não parecem reais. Acho que ninguém se importa de verdade, é só um monte de relações onde você tem algo a ganhar com aquilo reciprocamente, nem que seja algo emocional. Com raras exceções — ou não. Ok, isso soou muito frio e calculista, quase insensível. É o que sinto no momento, anyway.

Eu desisti de todo mundo. Sem expectativas, sem decepções. Quando a gente não espera nada de ninguém, tudo o que vem é bônus — fria como a morte, outra vez.

Eu desisti de mim.
Como pôde ser analisado, eu sou um péssimo ser humano, com ideias destorcidas, sérios distúrbios psíquicos e nenhuma motivação para viver. Provavelmente uma péssima companhia também. De qualquer forma, eu não fui a única, o resto do universo desistiu de mim bem antes.

2 comentários:

  1. Você não é um péssimo ser humano. Você está sofrendo. Isso não é um defeito. Você tem potencial (dá pra ver por esse blog). Sei que desistiu de muitas coisas, mas se dê outras chances na vida. Talvez chances para coisas diferentes, como outras atividades, outros interesses, outros hobbies, por exemplo. Você não está sozinha

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  2. Outros recursos, como outro curso, outras atividades ou outros profissionais também podem ajudar e fazer a diferença. Continue procurando as coisas. Vá procurando, que vão aparecer as melhoras. Não desista. Eu sei que não é fácil, deve doer demais, mas você pode encontrar alternativas. Você não está sozinha. Outras pessoas também podem entender como você se sente, ou mesmo que não entendam, podem te dar apoio. Procure não se afastar dessa ideia ou de possíveis relações e interações

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